terça-feira, 18 de junho de 2013
partido nenhum
começou pequeno, com um grupo de pessoas que colocaram em xeque a condição do transporte público do brasil. questões como "se é público, por que é pago?", "se é pago, por que é tão ruim?", "se é tão ruim, por que é tão caro?", dentre outras, surgiram e começaram ecoar. juntou-se a isto o aumento das tarifas nas cidades de todo o país, depois de campanhas eleitorais com promessas no sentido oposto. isto é, aqueles que prometeram uma melhora no serviço sem ônus financeiros à população, anunciaram aumento nas tarifas sem nenhuma contrapartida que fizesse jus.
pequenos protestos espalhados pelas capitais, de início, não chamaram a atenção e o merecido respeito da grande imprensa. na maior parte dos casos, as manifestações foram duramente combatidas a força pelas polícias e guardas municipais. os prefeitos não aceitaram diálogos e ignoraram seus cidadãos. e, quando abriram um canal de comunicação, foi apenas para reforçar o novo valor das tarifas, juntando velhos argumentos de quem tem campanha patrocinada por verbas privadas que geram dívidas, durante o mandato. cenas de filmes repetidamente assistidos por todos nós.
tudo bem, tudo bom. não passará disto, pensaram os grande coronéis eleitos pelos votos populares.
quando os paulistanos saíram às ruas, depois de anunciado o tarifário dos transportes públicos municipais e estaduais, e a polícia sentou a porrada, bombardeou, alvejou e humilhou muita gente, a nossa imprensa elogiou o serviço. o sujo, claro. clamou por justiça contra os baderneiros, causadores de tumulto e alimentadores do caótico engarrafamento da paulicéia. juiz de direito, em sua página do facebook, autorizou a matança, prometendo um veredito favorável aos carniceiros. alguns editoriais criticaram, achando que os vândalos não tinham, ainda, recebido seu devido troco, cobravam mais truculência.
pois bem, tem quem manda e tem quem cumpre. tem quem faz e tem quem maquia. e o ciclo é perfeito.
poucos dias depois, a cobertura ao vivo da tv não nos deixou dúvidas; havia uma quantidade de pessoas insatisfeitas que saíam às ruas reinvindicar seus direitos pacificamente, asseguradas pela constituição federal, e que estavam sendo lesadas, encurraladas, tocaiadas pela polícia. para desespero dos datenas, contra as expectativas políticas de quem lucraria com o contrário.
para piorar, alguns funcionários e freelanceres daquela mídia que cobrava a força rígida, foram trucidados pela tropa de choque. tiros à queima roupa, bombas de gás lacrimogênio, spray de pimenta e cacetetes esquentando o couro. os patrões, intactos, fariam o que? só média? só mídia?
e, se a mídia é o quarto poder, as redes sociais se tornaram o quinto. descentralizando as informações, tornando-nos não mais meros espectadores mas, sim, produtores e distribuidores de conteúdos. esta foi a primeira das peças do caminho de dominó a desabar. já eram várias as imagens difundidas pela internet da ação policial, no ato anterior. somadas às do dia 13/06, o castelo caiu. os marinhos já não sustentavam suas pautas conservadoras, os bispos também não. quando 3 + 3 dá mais ou menos do que 6, 4 já não é mais o quadrado de 2. tão pouco eram os R$ 0,20. e, nesta onda de tsunami, vieram carregados não só os grandes veículos de comunicação, mas os velhos partidos, todos os dinossauros. mais uma vez, tentando nos entubar. os sanguessugas pegaram carona.
com a grande comoção nacional, o movimento tomou corpo. não pelos seus argumentos iniciais, que mais separaram do que uniram. mas por um grande sentimento de dilaceramento anal. os anestésicos, por hora, sumiram de seus orifícios. passando neve, ardia como se fosse malagueta.
tendo as redes sociais como canal de comunicação, o brasil virou turquia. e, de repente, misturando gengibre, acúcar, tomate, água, genipapo, quiabo, ovos, farinha de trigo, a massa do bolo estava pronta. nem tanto, faltou uma boa dose de conservante.
houve uma quase unanimidade em se realizar manifestações apartidárias, apesar dos pesares. sem bandeiras, sem gritos de partidos. em são paulo, a tentativa foi bem sucedida, na medida do possível. houve uma grande preocupação de todos na prática da não-violência. os abutres têm um sentido apuradíssimo para carniça, né?
rio de janeiro, são paulo, salvador, belo horizonte, porto alegre, curitiba e outras cidades saíram na segunda, 17 de junho de 2013, para a retomada dos espaços públicos. mesmo mascarados, os números divulgados foram assustadores. em parte das cidades, depois dos atos catastróficos anteriores, a pm decidiu não ser protagonista, cumpriu seu papel como deveria fazê-lo sempre. em brasília, os manifestantes tomaram o prédio do congresso, sem maiores problemas. no rio, um tumulto na alerj não foi suficiente para apagar o que uma multidão escreveu. em bh, cumprindo ordens da fifa (?) a polícia de choque, não permitindo a marcha em sentido ao estádio, arrepiou. em porto alegre e curitiba, também, rolou pancadaria.
os meios de comunicação de massa, não por justiça, inverteram seus pontos de vista, convidaram "especialistas" não conservadores para seus programas, usaram imagens de celulares, sem edição... que belo produto para oferecer. nem muito sal, nem pouco açúcar.
mas, tudo o que era junto, separou-se depois de um luar. e, ao amanhecer, as redes sociais tornaram-se um grande palanque político. aquela aura mágica tornara-se um pão com manteiga. os de direita lançando campanha de impeachment contra presidente, jogando nas costas de um só partido toda a maldição política brasileira. os de esquerda, subindo em cima de um pedestal que não lhes pertence, chamando para si tudo o que é de mais sadio para o país, ignorando que deram continuidade ao processo inciado pela oposição, há anos, pouco mudando a estrutura viciada do poder.
há quem diga que a água e o óleo já corriam juntos, no dia anterior, como o rio negro e o solimões, em manaus, que por 7 quilômetros não se misturam. mas que, ao contrario do rio amazonas, seu delta se dividiu em dois. cada um a desembocar num próprio mar.
a unanimidade, se não burra, é deveras perigosa. e ninguém quer berros em uníssono, mas todos devem gritar sem que ninguém lhes sopre no ouvido uma frase feita. que uma nova língua surja, com novos termos, bons adjetivos e, sobretudo que um pronome pessoal conjugue novos verbos. pronome da primeira pessoa no plural.
um país só muda se o mudarmos. o que é velho vai pra lixeira. sem sentimentalismos baratos. sem nós ou laços, nem os do peito valem, desamarremo-los. não adianta tocar o hino, não nos envolvamos na bandeira nacional, desmilitarizemos as polícias e as políticas. é sempre bom andar lado a lado. e a pixação num viaduto diz: se todos estivermos de mãos dadas, quem sacará a arma?
se prédios tiverem de rugir, é porque seus alicerces já não os sustentam. se os brancos dos muros forem desvirginados, é porque as cores tomarão conta das cidades. se uma coroa servir de vaso, é porque o corpo do rei adubou a terra.
e não adianta matar nossa alegria. tomemos nossa cerveja, joguemos nosso futebol e façamos nossos sambas, com um novo enredo. na revolução, ao contrário do que muitos pensam, há espaço de sobra para celebrações e confraternizações. e, se não curte nem cerveja, nem samba ou futebol, seja bem vindo com o que gosta, pode me servir uma dose, aumenta o som e vamos que vamos.
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Olha, eu concordo em grande parte com a sua opinião... mas veja bem, tá faltando alguns ingredientes nesta história, não tá não? Vamos com calma aqui.
ResponderExcluir1) Chamar o PT de esquerda é hoje um equívoco já bem batido. Um partido que se alia com o PL para assumir a presidência e com o PMDB para manter maioria no contresso não dá para ser dito de esquerda, dá? Um prefeito que se alia ao Sr. Paulo Maluf da extrema direita para ganhar a prefeitura de São Paulo, não pode se dizer de esquerda, dá? Vale lembrar que o Sr. Paulo Maluf foi quem criou a SPTrans e destruiu a CMTC. Os delatores do esquema da SPTrans forram cruelmente assassinados numa queima de arquivo escandalosa na década de 90.
2) No início das passeadas, lá com o pessoal do MLP, não tinha bandeira, cara pálida? Tinha sim!!! Ainda existe esquerda no Brasil sim. São poucos, mas existem. Alguns são os chamados baderneiros... mas eles estavam com suas bandeiras lá. Des do começo. Eles se manifestaram em todo o Brasil a favor das manifestação ANTES do barco virar na 5ª feira.
3) Quando dizemos que todos os partidos são iguais e nivelamos tudo por baixo, fazemos o jogo da grande imprensa. Esta insiste neste discurso há anos. Dizer que é tudo igual é uma ótima forma de desclassificar os poucos que continuaram lutando todos estes anos. O discurso de que são todos, 100% corruptos é uma tática manjada da grande imprensa. É difícil, mas procure que você vai encontrar uma pequena esquerda combativa ainda. A grande imprensa chama eles de baderneiros, de atrazados... os mesmos argumentos que usavam já no golpe de 64, pela mesma turma da Globo.
4) Não estou aqui querendo que você apoie o partido A ou B. Não quero fazer campanha para o meu candidato. Mas quero que você olhe criticamente para o balaio e observe quem mudou de posição depois da 5ª feira e quem esteve do nosso lado já no começo. Mesmo que entre eles estejam os punks anarquistas ou até mesmo o PCO, que eu já conheço da década de 80.
Faz sentido para você? Se sentir ultrajado com o embarque que a grande mídia e os grandes partidos querem fazer é OK. Eu concordo, mas vamos olhar com cuidado para não jogar no mesmo balaio os poucos combatentes que ainda temos.
prezado sr. Unknown, os partidos estão sim, nivelados por baixo. por baixo do zero, inclusive. por ser partido, já está errado. eu não citei nome de partido algum, aqui. se disse que a esquerda está no poder, é porque uma caralhada de partidos faz parte deste governo federal, de muitos estaduais e municipais. além das entidades estudantis. que eu saiba, o mpl não tinha bandeira partidária, mas, caso tivesse, tenho a humildade de colocar uma errata. não vai me doer os bagos. acho que deve estar confundindo alguma coisa; a grande mídia sempre exalta um ou outro partido, de acordo com a maré. jamais nivelou todos por baixo, senão, tenha certeza, os votos nulos seriam os campeões nas merdas das urnas eletrônicas. sempre tem um queridinho a ser rei da telinha.
ResponderExcluirna minha opinião, que é bem diferente da sua, combatente é quem, de fato, combate. combate o sistema, combate a estrutura. quem levanta bandeira de partido, este sim, entra em conluio com a grande mídia e sustenta o status quo.
também não quero que vire um anarquista, nem que vote nulo, já na próxima eleição. curta um pouco mais este barato da república democrática.
saudações
e tem toda a razão, ao dizer que o pt não é de esquerda. concordo plenamente. e sempre digo isto. por mais que eles pensem que são e que a direita os ache o símbolo máximo.
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