sábado, 20 de março de 2010

o (desa)foro privilegiado

aprendi, desde criança, a zelar, com o dobro de cuidados, as coisas de outras pessoas. meus pais sempre reforçavam a tese de que o que é dos outros e está conosco deve ser devolvido intacto, sem danos ou perdas. isto me leva a cobrar tal atitude das pessoas às quais confiei algo. acho justo cuidar e ser cuidado.
mas, e esses "mas" sempre vêm pra foder, a coisa pública funciona numa lógica inversa. dentro de conceitos totalmente contrários aos padrões de confiança que deveriam reger as administrações do bem coletivo. herança dos tempos coloniais. para que fique bem claro; portugueses.
nossos queridos políticos, comandantes militares, procuradores da república, ministros, membros de diversos tribunais e chefes de missões diplomáticas permanentes fazem parte dos "intocáveis". aos que acham que é obra do poderoso e único deus, não se enganem, vivemos num país politeísta onde os próprios intocáveis são os deuses. eles mandam e desmandam, decidem. lhe fodem quando e onde bem entenderem. não toleram contestações.
nisso mora uma ambiguidade: o povo elege a maioria deles. apesar de admitir a capacidade humana de criar e cultuar deuses, não entendo como suportam curvar-se aos terrenos com tamanha humilhação. herança portuguesa, novamente. o catolicismo tem, como um de seus alicerces, a pena, a punição.
em todos os pleitos, me nego a votar e assim o farei até que mudem esta vergonhosa lei. não tenho coragem de votar em alguém que sei que não será julgado corretamente em caso de qualquer crime. isso, para mim, é insuportável, inaceitável. vou além. em se tratando de pessoas que devem cuidar e melhorar a coisa pública, confiados do povo para isso, as penas deveriam ser dobradas. e o tribunal comum.
o país definha em saúde, educação, meio ambiente, moradia, urbanismo... devido às más administrações. os partidos políticos são, hoje, quadrilhas especializadas em crimes de lesa-pátria. em pouco se diferenciam dos bandos criminosos de sp ou do rj. uma das diferenças mais notáveis é a maleabilidade das alianças entre si, que facilitam os esquemas e a manutenção do poder (dinheiro). como no fantástico "1984", de orwell, elas variam de acordo às necessidades imediatas, sem escrúpulos ou pudor. afinal, quem escreve a história são os próprios.
pena em dobro para quem usa do poder concedido pelo povo para tirar vantagem própria ou para outrém, em detrimento do bem coletivo.
os exemplos vêm de cima. por isso que aprendi com meus pais como lidar com o que não é meu.
outra aberração legislativa brasileira é a prisão especial para quem tem curso superior. pera lá! num país cuja maioria nem completa o secundário, privilegiar quem teve oportunidade é, no mínimo, de mau gosto. as pessoas que puderam cursar uma universidade têm o dever de servir, de colaborar com a sociedade, fazendo uso de seu estudo e, não, usurpá-la.
caso estas coisas não mudem, o brasil, pra sempre, será o país do futuro.

segunda-feira, 15 de março de 2010

o gol e o orgasmo

sei que muitas pessoas não gostarão de ler algumas coisas por aqui. umas devido ao comportamento no estádio. outras, por comportamento sexual. ou a falta dele. mas não escrevo pra alegrar o mundo. acho até que desanimo muitos com os temas.

vamos ao que é bom, mas devagar, curtindo as percepções de cada momento. aqui, no caso, de cada palavra.

muitas coisas acontecem no meio de uma torcida de futebol que me desagradam. vaiar o time é uma delas. isto deve acontecer apenas em casos extremos. muito extremos. outra que não me desce é o fato da perseguição a jogadores. o atleta nem tocou na bola, o cara tá xingando, chamando de perna de pau. deixa o cara jogar, incentiva pra ver o que rola. sair antes do jogo terminar, ganhando ou perdendo, é triste e inaceitável. a mesma coisa é sair do cinema antes do final do filme.
mas, o tema desta postagem é o grito de gol antecipado.
para que todos entendam o porquê deste meu ódio, farei uma analogia que acredito ser palpável a todos. claro está que a comparação será dos momentos do gol e do orgasmo. neste caso, do masculino. não ousaria entrar nos femininos detalhes.
aos fatos. antes, os não consumados.
o time atacando, pressionando o adversário. enquanto a maioria da torcida canta as músicas de incentivo à equipe, outra parte dela corneta. de repente, num lance plástico, o meia ofensivo dá um corte seco no volante e encaixa um passe perfeito pro lateral que, em diagonal, avança para o fundo do campo e levanta a cabeça para o cruzamento que buscará a testa do cetroavante artilheiro. congela o lance e repara na torcida. uns continuam cantando, atentos ao lance. outros, imediatamente, param de cantar e colocam as unhas no meio dos dentes. a parte que estava esculhambando o time, subtamente abre um sorriso e grita: GOOOOOOOOOOOOL. soltando o lance, vemos a bola ir em direção ao gol, deixando o potente atacante a ver navios, e o arqueiro espalma pra linha de fundo. os vuvuzelas voltam a xingar o time, a humilhar a mãe do lateral.
e o grito de gol, ecoou no ouvido dos outros. os mais pacientes. a confusão está armada.
mas por que? por que raios?
pelo simples fato de o tal gol ser o momento mágico do futebol, a parte mais importante do jogo. como o orgasmo o é, no sexo. simples assim. mas, como não sei desenhar, descreverei com palavras visuais. aos que insistem em não entender isso.
para prosseguir, há a obrigatoriedade da pessoa ser do sexo masculino. as mulheres estão proibidas, a partir daqui, de prosseguir. beijos, tchau. depois a gente se fala.
aos machos de plantão:
imaginem uma gostosa, tudo durinho, no lugar, com aquela vontade insaciável; um furacão sexual. nuazinha na sua frente, implorando para que você a possua, a penetre sem dó, sem frescuras. como um macho.
tudo começa com as melhores preliminares da sua vida. que habilidade!
a coisa vai esquentando ainda mais e a delícia já está de quatro, pedindo para que puxe seus cabelos forte e encha a bunda dela de tapas fortes, de macho, claro.
e você domando aquela fera.
as posições vão-se variando na mesma proporção do tesão da vadia.
e, no meio disto tudo, você, o machão mais viril do mundo, com aquela voz de locutor de rádio, avisa: vou gozar. a safada, num átmo, aparece balançando aquelas tetas de um lado pro outro, oferecendo o depósito exposto para o seu esperma. mas, para melhorar ainda mais sua situação de garanhão mais potente do universo, ela te olha nos olhos, com aquela cara de filme pornô, e abre a boca, bem na direção do jorro. mas, para a surpresa da musa, nada sai daquela fonte. tá seca.
manjou? não? então toma.
ela, meio confusa, pergunta: e ai? e você, jumento no cio, responde, calma que o goleiro espalmou pra escanteio, deixa-me ver se consigo uma cabeceada na gaveta, na cobrança.
isso existe? não. não deve. jamais.
tá aí. o gol e o orgasmo são sagrados. são o ponto culminante do ato. não podem ser, assim, sucateados, tratados como a educação e a saúde públicas brasileiras. temos que guardar pro momento certo. daí a gente goza, meleca a cara da fêmea, grita gol e pula como milho no óleo quente. sem dó nem piedade. afinal, somos os picudos, os fodões, porra!
mas, que se esclareça, há diferenças fundamentais que não podemos jamais esquecer entre o jogo e o coito. no futebol, temos um adversário. no sexo,temos uma companheira. no futebol, depois do gol, o adversário fica arrasado. no sexo, a companheira tem um orgasmo (que pode até ser psicológico, caso ela já tenha gozado ou ainda não) quando você goza. no futebol, o adversário tentará te fuder, pra se vingar, e você fará de tudo pra evitar. no amor, a companheira tentará te fuder pra gozar também e você, malandro, não titubeará em fazer questão que assim seja. talvez repetidas vezes.

pra misturar tudo e criar uma polêmica, pega esse grito de gol adiantado e enfia no seu rabo. quem sabe assim você tenha um orgasmo, faça um gol de letra. cuidado com a trave.