sei que muitas pessoas não gostarão de ler algumas coisas por aqui. umas devido ao comportamento no estádio. outras, por comportamento sexual. ou a falta dele. mas não escrevo pra alegrar o mundo. acho até que desanimo muitos com os temas.
vamos ao que é bom, mas devagar, curtindo as percepções de cada momento. aqui, no caso, de cada palavra.
muitas coisas acontecem no meio de uma torcida de futebol que me desagradam. vaiar o time é uma delas. isto deve acontecer apenas em casos extremos. muito extremos. outra que não me desce é o fato da perseguição a jogadores. o atleta nem tocou na bola, o cara tá xingando, chamando de perna de pau. deixa o cara jogar, incentiva pra ver o que rola. sair antes do jogo terminar, ganhando ou perdendo, é triste e inaceitável. a mesma coisa é sair do cinema antes do final do filme.
mas, o tema desta postagem é o grito de gol antecipado.
para que todos entendam o porquê deste meu ódio, farei uma analogia que acredito ser palpável a todos. claro está que a comparação será dos momentos do gol e do orgasmo. neste caso, do masculino. não ousaria entrar nos femininos detalhes.
aos fatos. antes, os não consumados.
o time atacando, pressionando o adversário. enquanto a maioria da torcida canta as músicas de incentivo à equipe, outra parte dela corneta. de repente, num lance plástico, o meia ofensivo dá um corte seco no volante e encaixa um passe perfeito pro lateral que, em diagonal, avança para o fundo do campo e levanta a cabeça para o cruzamento que buscará a testa do cetroavante artilheiro. congela o lance e repara na torcida. uns continuam cantando, atentos ao lance. outros, imediatamente, param de cantar e colocam as unhas no meio dos dentes. a parte que estava esculhambando o time, subtamente abre um sorriso e grita: GOOOOOOOOOOOOL. soltando o lance, vemos a bola ir em direção ao gol, deixando o potente atacante a ver navios, e o arqueiro espalma pra linha de fundo. os vuvuzelas voltam a xingar o time, a humilhar a mãe do lateral.
e o grito de gol, ecoou no ouvido dos outros. os mais pacientes. a confusão está armada.
mas por que? por que raios?
pelo simples fato de o tal gol ser o momento mágico do futebol, a parte mais importante do jogo. como o orgasmo o é, no sexo. simples assim. mas, como não sei desenhar, descreverei com palavras visuais. aos que insistem em não entender isso.
para prosseguir, há a obrigatoriedade da pessoa ser do sexo masculino. as mulheres estão proibidas, a partir daqui, de prosseguir. beijos, tchau. depois a gente se fala.
aos machos de plantão:
imaginem uma gostosa, tudo durinho, no lugar, com aquela vontade insaciável; um furacão sexual. nuazinha na sua frente, implorando para que você a possua, a penetre sem dó, sem frescuras. como um macho.
tudo começa com as melhores preliminares da sua vida. que habilidade!
a coisa vai esquentando ainda mais e a delícia já está de quatro, pedindo para que puxe seus cabelos forte e encha a bunda dela de tapas fortes, de macho, claro.
e você domando aquela fera.
as posições vão-se variando na mesma proporção do tesão da vadia.
e, no meio disto tudo, você, o machão mais viril do mundo, com aquela voz de locutor de rádio, avisa: vou gozar. a safada, num átmo, aparece balançando aquelas tetas de um lado pro outro, oferecendo o depósito exposto para o seu esperma. mas, para melhorar ainda mais sua situação de garanhão mais potente do universo, ela te olha nos olhos, com aquela cara de filme pornô, e abre a boca, bem na direção do jorro. mas, para a surpresa da musa, nada sai daquela fonte. tá seca.
manjou? não? então toma.
ela, meio confusa, pergunta: e ai? e você, jumento no cio, responde, calma que o goleiro espalmou pra escanteio, deixa-me ver se consigo uma cabeceada na gaveta, na cobrança.
isso existe? não. não deve. jamais.
tá aí. o gol e o orgasmo são sagrados. são o ponto culminante do ato. não podem ser, assim, sucateados, tratados como a educação e a saúde públicas brasileiras. temos que guardar pro momento certo. daí a gente goza, meleca a cara da fêmea, grita gol e pula como milho no óleo quente. sem dó nem piedade. afinal, somos os picudos, os fodões, porra!
mas, que se esclareça, há diferenças fundamentais que não podemos jamais esquecer entre o jogo e o coito. no futebol, temos um adversário. no sexo,temos uma companheira. no futebol, depois do gol, o adversário fica arrasado. no sexo, a companheira tem um orgasmo (que pode até ser psicológico, caso ela já tenha gozado ou ainda não) quando você goza. no futebol, o adversário tentará te fuder, pra se vingar, e você fará de tudo pra evitar. no amor, a companheira tentará te fuder pra gozar também e você, malandro, não titubeará em fazer questão que assim seja. talvez repetidas vezes.
pra misturar tudo e criar uma polêmica, pega esse grito de gol adiantado e enfia no seu rabo. quem sabe assim você tenha um orgasmo, faça um gol de letra. cuidado com a trave.
segunda-feira, 15 de março de 2010
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