aprendi, desde criança, a zelar, com o dobro de cuidados, as coisas de outras pessoas. meus pais sempre reforçavam a tese de que o que é dos outros e está conosco deve ser devolvido intacto, sem danos ou perdas. isto me leva a cobrar tal atitude das pessoas às quais confiei algo. acho justo cuidar e ser cuidado.
mas, e esses "mas" sempre vêm pra foder, a coisa pública funciona numa lógica inversa. dentro de conceitos totalmente contrários aos padrões de confiança que deveriam reger as administrações do bem coletivo. herança dos tempos coloniais. para que fique bem claro; portugueses.
nossos queridos políticos, comandantes militares, procuradores da república, ministros, membros de diversos tribunais e chefes de missões diplomáticas permanentes fazem parte dos "intocáveis". aos que acham que é obra do poderoso e único deus, não se enganem, vivemos num país politeísta onde os próprios intocáveis são os deuses. eles mandam e desmandam, decidem. lhe fodem quando e onde bem entenderem. não toleram contestações.
nisso mora uma ambiguidade: o povo elege a maioria deles. apesar de admitir a capacidade humana de criar e cultuar deuses, não entendo como suportam curvar-se aos terrenos com tamanha humilhação. herança portuguesa, novamente. o catolicismo tem, como um de seus alicerces, a pena, a punição.
em todos os pleitos, me nego a votar e assim o farei até que mudem esta vergonhosa lei. não tenho coragem de votar em alguém que sei que não será julgado corretamente em caso de qualquer crime. isso, para mim, é insuportável, inaceitável. vou além. em se tratando de pessoas que devem cuidar e melhorar a coisa pública, confiados do povo para isso, as penas deveriam ser dobradas. e o tribunal comum.
o país definha em saúde, educação, meio ambiente, moradia, urbanismo... devido às más administrações. os partidos políticos são, hoje, quadrilhas especializadas em crimes de lesa-pátria. em pouco se diferenciam dos bandos criminosos de sp ou do rj. uma das diferenças mais notáveis é a maleabilidade das alianças entre si, que facilitam os esquemas e a manutenção do poder (dinheiro). como no fantástico "1984", de orwell, elas variam de acordo às necessidades imediatas, sem escrúpulos ou pudor. afinal, quem escreve a história são os próprios.
pena em dobro para quem usa do poder concedido pelo povo para tirar vantagem própria ou para outrém, em detrimento do bem coletivo.
os exemplos vêm de cima. por isso que aprendi com meus pais como lidar com o que não é meu.
outra aberração legislativa brasileira é a prisão especial para quem tem curso superior. pera lá! num país cuja maioria nem completa o secundário, privilegiar quem teve oportunidade é, no mínimo, de mau gosto. as pessoas que puderam cursar uma universidade têm o dever de servir, de colaborar com a sociedade, fazendo uso de seu estudo e, não, usurpá-la.
caso estas coisas não mudem, o brasil, pra sempre, será o país do futuro.
sábado, 20 de março de 2010
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