segunda-feira, 28 de setembro de 2009

coisas da vida

não costumo falar muito do meu trabalho, aqui no blog. procuro dividir bem minhas coisas profissionais das pessoais.
mas, quando uma se mistura à outra...
semana passada, mais especificamente no sábado, produzi um show que ficará gravado para sempre na memória. primeiro porque o show foi ducaraleo. depois porque revivi minha infância e adolecência toda durante duas horas.
só não foi melhor porque fiquei, como meu trabalho me obriga, em cima do palco. e não há nada pior do que isso. o som do p.a. não chega, a desproporção é muito alta na relação bateria x resto da banda... bom, resumindo, é sonoramente horrível.
mas, mesmo assim, foi muito foda. e foi devido às atrações que lá estavam. juntas, unidas, estavam tocando paralamas e titãs. os dois primeiros cassetes que comprei na vida foram: "cabeça dinossauro" e "jesus não tem dentes no país dos bangelas". cresci ouvindo o rock nacional do titãs, no meio das rodinhas nas baladas ao som de "bichos escrotos" e "polícia". confesso que os paralamas não fizeram tanto sucesso assim na minha trilha sonora, mas fez parte deste período.
os caras estão velhacos, mas a pegada voltou a ser como nos velhos tempos. houve uma fase deles meio aviadada, mas este show apagou esta impressão que havia ficado.
outra destas coisas boas da vida foi, no domingo, minha ida, depois de muito tempo, à fiel manaus. sede nova.
apesar de ter saído de lá com o nível alcoólico acima dos padrões internacionais, de ter assistido apenas um dos tempos e do juiz ter arbitrado com o apito cor-de-rosa, revi os amigos e ouvi uma história alvinegra.
e ouvi a história por causa do show dos titãs e dos paralamas. o cara foi me perguntar se eu era o produtor do show pois me viu lá.
conversa vai, conversa vem, fiquei sabendo que ele era o único corinthiano da família. perguntei como isso aconteceu. aos fatos:
quando tinha nove anos, o pai lhe disse que juntou uma graninha e que ele poderia escolher um brinquedo numa loja especializada. encantou-se por um jogo de botão. tendo inúmeros times para escolher, apaixonou-se pelo escudo do timão. comprou o time e, desde então, é um doente corinthiano.
parece uma história normal, mas há 19 anos atrás, em manaus, uma criança escolher um botão do corinthians e, por isso, se encantar pelo clube é algo um tanto estranho. até hoje, sabe quantos jogos do todo-poderoso passam, por ano, nas emissoras daqui? a mídia tem uma paixão pelo arruinado futebol carioca que dá nojo. o pior; ficam a semana inteira passando a chamada do jogo do timão e, na hora h, passa qualquer joguinho do rio. é triste.
falando em alegria: o juiz ajuda, mas a fregaysia continua.

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